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  Marquesa de Alorna: A Luz na Escuridão - Uma História de Coragem, Poesia e Transformação             D. Leonor de Almeida Portugal Lorena e Lencastre, condessa de Oeynhausen, a conhecida Marquesa de Alorna, título herdado do seu irmão após a sua morte quando combatia ao lado de Napoleão, foi a principal mediadora cultural nos salões de cultura. Nascida a meio do século XVIII, mais precisamente a 31 de outubro de 1750, mesmo enclausurada num convento, aperfeiçoou a sua escrita quando escrevia cartas ao seu pai.   As missivas eram uma forma de suavizar o seu desânimo perante as adversidades que defrontava. Sabia, no entanto, usufruir da sua clausura, apesar dos rituais de silêncio e oração, alternados com trabalho e penitência. No fundo, o seu objetivo era escrever para distrair a mãe e consolar o pai durante os dezoito anos de separação. Escrevia para se evadir. As cartas libertavam-na da mediocridade, do espaço somb...
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Pequeno retrato da ansiedade                                                    Os primeiros raios de sol iluminavam timidamente a janela do seu quarto. Estava presa num turbilhão de pensamentos, cercada por uma névoa densa de ansiedade. As suas mãos sempre geladas e sem cor destapavam-na sem força, revelando a angústia que habitava a sua mente nos últimos dias. Precisava de enfrentar o dia, mas os medos e as incertezas aumentavam a pressão sobre si. Encontrava-se numa luta interna entre as suas ambições e a necessidade de encontrar a paz, de encontrar a sua voz. Mas tinha de corresponder às expetativas, dos pais, dos amigos, da sociedade. Como um fantoche controlado por fios invisíveis, continuava na dança frenética, alimentando a ilusão do ...
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  Pela voz da demência   O tremor começa subtil e furtivo, como uma nota dissonante, enquanto o corpo parece uma pauta musical que não se consegue controlar. Cada movimento, cada gesto é uma batalha contra forças invisíveis que parecem querer derrubar. Lembro-me da primeira vez que percebi que algo estava errado. As mãos começaram a tremer sem motivo aparente. No início, ignorou-se, atribuindo o sintoma à fadiga. Mas o tremor persistiu, insidioso e implacável, até que não se pôde esconder mais a verdade. Desde então, tem-se vivido num mundo de constantes oscilações, onde o chão se move sob seus pés. Cada passo é uma dança incerta, uma luta para manter o equilíbrio entre a normalidade e a disfunção. Mas apesar dos desafios diários, descobriu-se uma força e uma determinação inabaláveis, enfrentando cada obstáculo com coragem e dignidade. Porque o tremor abala o corpo, mas não abala a alma. É nos abalos do corpo que encontra a sua fortaleza e apesar de sacudido, a alma ...
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  Confissões de um coração inquieto   Ajuda-me a ver o que os olhos não alcançam, Ajuda-me a enxergar a beleza oculta na simplicidade do mundo. Para que eu possa encontrar cores no cinzento, E luz no lamento Por vezes, moribundo.   Ajuda-me a ver além das aparências, Ajuda-me a reconhecer a essência que habita em cada ser. Para que eu possa perceber Nas cicatrizes, Marcas de coragem, E nos sorrisos, Portais de esperança, uma viagem.   Ajuda-me a ver além do meu reflexo, Ajuda-me a mergulhar no desconhecido. Para que eu possa encontrar respostas Nas perguntas sem fim, E inspiração nas incertezas Do meu jardim.   Ajuda-me a ver com os olhos do coração, Ajuda-me a compreender a verdade Para além do entendimento. Para que eu possa vislumbrar A beleza da caminhada, E encontrar paz, De forma determinada.   Ajuda-me a ver, oh, mundo vasto e misterioso, Pois é em ti que descubro a minha verdade O meu ...
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Na intermitência da morte, encontramos a urgência da vida  
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  Saudade   Ainda não partiste E já me fazes falta. Deixas um vazio profundo, Só de pensar Na saudade a entrar E no meu mundo A murchar.   Já sinto saudade de te ver. De te abraçar.   As tuas coisas, Tu. A nostalgia entrará. Não serei a mesma. Quando fores, Parte de mim morrerá.
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  Memórias de uma mesa ternurenta e uma chávena intrigante   Não é todos os dias que nos deparamos com uma mesa tão ternurenta. A superfície lisa e polida, adornada com um pano de linho branco e delicado, convidava à serenidade. Mas sobre a mesa ternurenta, uma chávena intrigante também roubava a atenção de todos. Percebi isso, uns dias antes, quando deambulava no centro da cidade. Não imaginava que uma simples mesa pudesse ser tão ternurenta. Naquele dia, ao entrar na loja de antiguidades, deparei-me com a peça mais encantadora e não hesitei em comprá-la. P arecia carregada de uma aura especial. Assim que a trouxe para casa, percebi que não era apenas uma mesa. Sentarmo-nos à sua volta era como receber um abraço caloroso. A partir desse dia, a mesa tornou-se palco de encontros inusitados. Certa tarde, quando reuni amigas para um chá, descobri que a chávena intrigante, herança de uma tia afastada, também guardava segredos encantadores. Era mais do que um utensílio, e...