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A sua revista literária Semestral Metamorfoses: histórias de transformação Páginas onde vigora sabedoria com alma Edição número 2, um convite para mergulhar em textos que transbordam reinvenção, mudança e descoberta. Que a mesma inspire a abraçar as metamorfoses, ainda que não transformem, porque, Nós, Mulheres, não receamos o renascer.  Avançamos, resilientes. O ato de recriar é sempre um processo de transformação - de nós, do mundo à nossa volta, das palavras que tomam forma sob os dedos. A metamorfose é intrínseca ao feminino, à escrita, à própria vida. É através dela que nos recriamos, que enfrentamos os desafios e que ousamos ser mais do que já fomos.  
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Páginas ao vento  
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Voa Alto  
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 A Dor é Vento
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  Conto publicado na revista Brincar a Escrever Verões com a minha avó   Os verões com a minha avó materna eram uma azáfama. O entusiamo ditava os dias que antecediam a partida. Os meus amigos não compreendiam como conseguia passar dois meses de verão, sozinha, com ela. Ali reinava a alegria e brincadeira. Tinha amigos alentejanos e, quando chegava a altura das festas, havia bailarico durante uma semana. O cheiro que sentia quando estava a poucos quilómetros da vila permanece guardado até hoje, na minha memória. Belas recordações das viagens. A minha avó enviuvou cedo e, raramente vinha a Lisboa. Íamos nós visitá-la e, nas férias, os meus pais permitiam que ficasse com ela até o ano letivo começar. Naquela altura, a chave ficava na porta, um convite às vizinhas para entrarem, mas eu, rebelde, mais do que agora, fechava a porta à chave. Fora apanhada umas poucas de vezes de cuecas, porque a vizinha entrava sem avisar. Ficava furiosa, mas no final até ria com a s...
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  Renascimento A vida é pautada pelo compasso do quotidiano. Poucos são aqueles que esperam que, de um momento para o outro, o ritmo possa ser brutalmente interrompido. O Acidente Vascular Cerebral (AVC), a maior causa de morte em Portugal, aparece como um ladrão na noite, à procura de roubar a liberdade e a autonomia, outrora dadas como adquiridas. − Que idade tens, Raul? −10, 20, 30, 40 e 50 é a minha idade. Se não for assim, já não consigo lá ir. Tive de arranjar este sistema. É assim que o meu cérebro funciona. As vítimas de AVC vivem o desamparo, a dor, a resistência numa luta inglória, mas sempre movidas pelo amor e responsabilidade dos seus cuidadores. Cada caso é um caso, mas há que desenredar a complexidade da experiência humana que envolve o AVC. «Só 30% dos sobreviventes de AVC têm o tratamento recomendado», assim foi dito por uma jornalista no Jornal Expresso. https://expresso.pt/sociedade/saude/2024-04-04-So-30-dos-sobreviventes-de-AVC-tem-o-tratamento-...
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  Um Comboio chamada Esperança A família é o nosso porto seguro. Pelo menos, deveria ser. O lugar de amor incondicional e aceitação com todos os defeitos e virtudes. Contudo, a realidade está muito longe das aparências. Para alguns, a família não é refúgio, mas fonte de rejeição e de dor. Para outros, o desejo é afastar-se dos parentes, sonhando com a independência. Um sentimento sufocante que conduz, na maioria das vezes, a comportamentos precipitados. "Vieram um dia num comboio chamado esperança. Alguns. Outros saíram de casa, porque os pais não os compreendiam […]. Mas todos eles sonhavam com uma coisa chamada independência", assim foi dito por Maria Judite de Carvalho em "Aldeias de Gente Só", nas suas Obras Completas V (2019). A temática da independência e da rejeição familiar chegou num «comboio chamado esperança», onde a autora referencia os que procuram algo melhor, um novo futuro. A metáfora representa o meio de transporte para uma nova vida, movido p...
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  Os sonhos de Carlota   Na floresta encantada Vive a princesa Carlota. Tão adorada! Com o seu pónei branco, Numa tarde molhada Encanta-se com a trovoada Que tendo evoluído, A deixa assustada, tal é o ruído.   À noite no quarto Aconchego encontra, Com o seu pónei ao lado A trovoada não importa. Carlota, a dorminhoca, sonha e voa Enquanto o mundo lá fora Assusta e atordoa.   Ao amanhecer, sente aroma a bolo no ar, E Carlota desperta pronta para o saborear, Com o seu fiel amigo Que por ela espera lá fora Para poderem viver e sonhar.
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  A inevitabilidade da Morte A sociedade contemporânea parece esquecer o valor da morte e a sua ligação intrínseca à vida. A forma como vivemos importa muito mais do que a maneira como morremos. Fernando Pessoa, poeta do início do século XX, aborda a morte como algo inevitável e como uma presença constante que define e dá sentido à vida, embora de forma complexa. Através do seu heterónimo, Ricardo Reis, influenciado pelo estoicismo, Pessoa encara a morte com serenidade e aceitação, esperando por um futuro que se augura natural e que deve ser enfrentado com calma e dignidade. "Não inquiro do anónimo futuro Que serei, pois que tenho, Qualquer que seja, que vivê-lo. Tiro Os olhos do vindouro. Odeio o que não vejo, Se pudera, Vê-lo, grato o não vira. Se mo mostrarem num quadro, ou o virarem Não tenho o que não tenho, O que o Destino manda, saiba-o ele. A ignorância me basta."   (Fernando Pessoa, 1923, in Poemas de Ricardo Reis)   Enquanto o p...
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Perdida nas tuas páginas Não é apenas o teu cheiro que me prende. O toque, as palavras aladas, os impulsos que me provocas amarram-me. Por causa de ti, desconheço a solidão. Diante de um mundo inóspito, na tua companhia, não há tristeza que me assole. És o meu tugúrio. Naquela manhã, percebi que eras mais do que um mero livro. Acordei para outro dia vazio de memórias, numa casa desconhecida. Tinha-te à minha cabeceira. Diziam-me que perdera a memória num acidente de viação e após dois meses em coma, regressara. Não fosse a tua companhia, Livro, já teria desaparecido.
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  As asas da singularidade Cada um de nós carrega consigo peculiaridades que nos torna únicos. Essas características podem manifestar-se de maneiras estranhamente diferentes, mas são os gostos e perspetivas que moldam a nossa visão do mundo. Permitem-nos sentir e compreender a realidade, através de uma lente única, por uma janela de onde se vislumbra a complexidade que nos rodeia. Procuramos assumir a identidade, sem que isso incomode. Sem ferir por um segundo. Esquecemo-nos de nós. Somos assolados, inúmeras vezes pela vergonha que sentimos em assumir as diferenças, preferindo escondê-las. A tendência é encaixarmo-nos nos padrões estabelecidos pela sociedade. Aquela que convenientemente opta pela normalidade. Mas por que será tão difícil aceitar a singularidade de comportamentos que subtilmente dão notoriedade e abraçam a estranheza? Por que nos sentimos renegados? Esta é uma grande caminhada de reflexão. Desde cedo, somos orientados a seguir as normas e a corresponder às...
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  Serafim, o pinguim   Era uma vez um pinguim amarelo, Brincalhão e o mais belo. Um dia, deu um espirro tão forte, Que a todos assustou. E sem sorte, Os amigos, afugentou.   Seguiu um novo rumo Sem ver um único malmequer, Viu uma joaninha sem pintas Engraçadinha e ladina Com umas antenas distintas.   Dias de cores e risadas, E Serafim nas suas belas caminhadas. Espirrava, brincava num grande frenesim Que a todos contagiava com as suas aventuras Sem fim.
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  Pelas mãos da Ira   A propósito das emoções que habitam em nós, a ira emerge como uma força poderosa, muitas vezes imprevisível e profundamente enraizada. Aquela que nos assola inúmeras vezes sem ser convidada.   Será ela um fogo interno instigador do conflito? E que combustível é este que nos enleva por sendas estreitas?   É verdade que este sentimento pode parecer necessário em determinadas situações, especialmente quando se trata de proteger ou de lutar por algo importante. No entanto, quando não é controlado ou canalizado de forma construtiva, pode revelar-se nefasto.   Na agitação da vida diária, somos frequentemente confrontados com situações que acendem a raiva. A chama da irritação é provocada por panóplias de situações: um engarrafamento exasperante, o testemunho de uma injustiça premente, ou até mesmo um simples desentendimento com alguém próximo. "Não há coisa [como a ira] mais insensata e escrava das suas próprias forças; arroga...
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Liberdade Abrem-se os corações Voam os pensamentos Realizam-se sonhos O dia que deve ser todos os dias   
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  Um Olhar atento sobre as nossas crianças: o poder transformador das brincadeiras As crianças deveriam ter sempre o direito de brincar. Os seus sorrisos luminosos, risadas contagiantes e abraços calorosos enchem uma casa. Trazem uma alegria inigualável. É algo que nunca nos deveríamos cansar de presenciar: a beleza única de as ver rir e brincar. É essencial reservar momentos do dia à brincadeira, por ser fundamental para o seu crescimento e desenvolvimento. Através das atividades lúdicas, elas aprimoram aspetos físicos, cognitivos, emocionais e sociais. Mas como podem os pais incentivar e estimular os seus filhos? Em que medida podem ensiná-los a brincar? Será que, na sua maioria, os pais estão demasiado ocupados para dedicarem um pouco do seu tempo às crianças?
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  Palavras aladas: liberdade feminina na escrita   Na história da literatura, a liberdade de escrita feminina emerge como um fio dourado, tecido delicadamente ao longo dos séculos. Nas páginas do passado as vozes femininas eram sussurros subjugados. As suas palavras jaziam como pétalas ocultas sob sombras austeras. Hoje, renascidas, irrompem em chamas de coragem e autenticidade. Ousadas e resilientes, tecem narrativas desafiadoras que ecoam a essência da feminilidade contemporânea. Ainda bem que são lidas. Ainda bem que as podemos ler. Palavras que voam. Palavras que ficam. Ainda bem que têm liberdade e poder para se expressar livremente. Para voar além das restrições e imposições da sociedade. Tem sido uma caminhada marcada por desafios, resistência e triunfos, reflexo não só da evolução da escrita feminina, mas também da procura incessante pela emancipação em todas as esferas da vida.
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  Estará o equilíbrio perdido? Na agitada paisagem do mundo moderno, é fácil perdermo-nos na incessante procura pelo sucesso profissional. Desde cedo, somos bombardeados com a ideia de que devemos trabalhar mais, alcançar mais ainda como se o nosso valor fosse medido pelo que conquistamos profissionalmente. Contudo, no meio dessa corrida desenfreada, é importante questionar: Quando perdemos de vista o nosso equilíbrio? Em que momento, começamos a ser definidos pelas carreiras, em detrimento de quem somos? Ao longo das últimas décadas, testemunhámos uma transformação gradual em relação ao nosso relacionamento com o trabalho. O que antes era uma parte importante, mas não dominante das nossas vidas, agora parece consumir a nossa identidade e a nossa existência. Tornamo-nos workaholics , viciados em trabalho, insatisfeitos com tudo, verdadeiramente ambiciosos, numa perseguição constante dos próximos projetos, promoção e conquista. Contudo, até que ponto isso é saudável? Quando é qu...
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Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor       Páginas encantadas   Nas tuas páginas, mergulho Um portal de mundos sem igual Em cada linha um sonho, uma história, Nas asas da imaginação, uma vitória.   As tuas palavras são fios que tecem Um caminho de emoção e prazer Pelas personagens que dançam no papel Como os alpinistas em rapel, A sedução a crescer.   Saltam de capítulo em capítulo Segredos revelados ou ocultos São o fio condutor da ação Num enredo emaranhado De pensamentos dispersos E de emoção.   És livro, amigo e confidente Nas mãos de quem te lê Revelas o teu valor Prendes pelo cheiro envolvente Recordo-te, sempre, como um grande amor.  
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MEMÓRIAS SENTIDAS Em memória aos meus avós Homenagem a Montalvão  
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  Sentir Tudo de Todas as Maneiras │Prosa           Na cidade cinzenta, entre becos estreitos e vielas sombrias, vivia um homem multifacetado, de sentimentos amplos como o oceano. Chamava-se Eduardo e, como um eco de Fernando Pessoa e seu heterónimo Álvaro de Campos, carregava consigo uma grande inquietude. Todas as manhãs se vestia com roupas de gala para o mundo. Tinha a máscara do trabalhador sisudo, do boémio que percorria os bares decadentes e a do sonhador que enchia as praças vazias. Mas a máscara que melhor lhe assentava era a do engenheiro de emoções. Ao longo do dia, mergulhava nas profundezas do sentir e explorava cada detalhe. Os seus olhos captavam tristeza. Um sem-abrigo na esquina e a alegria de uma criança a brincar na chuva. Absorvia tudo ao pormenor. Sentia tudo de todas as maneiras. À noite, refugiava-se no seu pequeno quarto, repleto de livros, papel e canetas. Despia-se das suas máscaras. Revelava a sua verdade...